domingo, 12 de setembro de 2010
Micro conto da história da não-luz
Ínsipida e inodora é a luz que aguça os olhos e ele a esperava impacientemente sentado na sala de frente pra janela desde a meia noite. Colocou na cabeça que queria saber o gosto do tom amarelo, vermelho e alaranjado que tem a luz do dia. Queria saber qual é o cheiro do dourado. E escutar as cores quentes daquele sol de inverno lhe falarem porque estavam tão frias naquele ano. Passou um dia inteiro ali prostrado. Falha tentativa. Tentou num segundo dia. Falha a segunda tentativa. Tentou num terceiro dia. E concluiu que o sol o condenou por lhe faltarem nos olhos a sensibilidade de perceber que o calor das cores quentes já tinha penetrado pelos seus poros, por isso o deixou com a frieza do azul e do anil, do verde e do violeta. Mal tratado e sem malícia. Ele usava olhos de vidro e enxergava em preto e branco o mundo de berço já sem cor daquele cego sem alma.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Boa Atriz
Quanto tempo tem que já passou?
Eu ainda não contei as horas
Traz uma bebida e um cigarro
Pra ver se o ponteiro anda agora
Canta aquela música pra mim
enquanto o vento passa pela sala
Varre essa poeira que ficou
de quando minha casa era uma mala
Quanto tempo ainda não demora
pra você enfim ficar contente?
Senta do meu lado agora e chora
lágrimas de um passado incongruente
Fita os meus olhos e me devora
com uma dor lasciva e latente
Apesar de todo o tempo que já tem
esse caos continua impertinente
Traz outra bebida e mais cigarro
Põe os pés no chão e abre os olhos
Pega na minha mão e me acompanha
que ainda há tempo pra gente
Eu ainda não contei as horas
Traz uma bebida e um cigarro
Pra ver se o ponteiro anda agora
Canta aquela música pra mim
enquanto o vento passa pela sala
Varre essa poeira que ficou
de quando minha casa era uma mala
Quanto tempo ainda não demora
pra você enfim ficar contente?
Senta do meu lado agora e chora
lágrimas de um passado incongruente
Fita os meus olhos e me devora
com uma dor lasciva e latente
Apesar de todo o tempo que já tem
esse caos continua impertinente
Traz outra bebida e mais cigarro
Põe os pés no chão e abre os olhos
Pega na minha mão e me acompanha
que ainda há tempo pra gente
terça-feira, 18 de maio de 2010
Arquitetura
O reflexo deformado
transparece a imperfeição
do rosto desalmado
São curvas e traços
fodidos e quebrados
que mostram o cansaço
da busca infinita
noite à dentro bandida
pelos braços e afagos,
carinhos cansados,
conversas sem nexo,
amores deixados,
que terminam em sexo.
transparece a imperfeição
do rosto desalmado
São curvas e traços
fodidos e quebrados
que mostram o cansaço
da busca infinita
noite à dentro bandida
pelos braços e afagos,
carinhos cansados,
conversas sem nexo,
amores deixados,
que terminam em sexo.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Solidão, Som Surdo
A imagem não chama atenção
O som é incômodo
Não há ninguém na sala
além dela.
Cega, surda, muda
mastiga, engole, bebe,
engole seco
O seu silêncio incomoda
sofre uma dor sádica
não pensa, não raciocina
vítima, vitimista, vitimada
chantagem, chantagista, chantageada
chora, escorre,
enxuga com as costas das mãos
A TV saiu do ar
há um tempo ela é só chiado
Cega, surda, muda
mastiga, engole, bebe
engole o choro
E segue inerte
O som é incômodo
Não há ninguém na sala
além dela.
Cega, surda, muda
mastiga, engole, bebe,
engole seco
O seu silêncio incomoda
sofre uma dor sádica
não pensa, não raciocina
vítima, vitimista, vitimada
chantagem, chantagista, chantageada
chora, escorre,
enxuga com as costas das mãos
A TV saiu do ar
há um tempo ela é só chiado
Cega, surda, muda
mastiga, engole, bebe
engole o choro
E segue inerte
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